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Retirada de prótese mamária com enxerto de gordura: para quem é indicada?

Por Op. Dr. Göktuğ Esmer · Atualizado em: 7 outubro 2026 · 8 min de leitura

Sim, é possível retirar as próteses mamárias e preencher parcialmente a mama com a sua própria gordura na mesma cirurgia, mas a transferência de gordura repõe apenas uma parte modesta do volume da prótese. Ela é indicada para mulheres que querem viver sem prótese, aceitam uma mama menor e mais natural e têm gordura sobrando; quando a pele ficou distendida, muitas vezes também é preciso fazer uma mastopexia.

A retirada das próteses (explante) é uma das opções que discutimos dentro da troca de prótese mamária e cirurgia de revisão na clínica do Op. Dr. Göktuğ Esmer, em Istambul. Este guia explica por que as mulheres escolhem retirar a prótese, o que significa de fato "com ou sem a cápsula", o que a transferência de gordura consegue e não consegue fazer e como a recuperação costuma ser planejada.

Por que as mulheres retiram as próteses?

Os motivos misturam achados médicos e escolhas pessoais. Os mais comuns são:

  • Contratura capsular: a cápsula de cicatrização que se forma ao redor de toda prótese fica mais espessa e se contrai, deixando a mama endurecida, deformada ou dolorida.
  • Ruptura: uma prótese de silicone pode se romper sem nenhuma mudança visível. A FDA, órgão regulador que supervisiona as próteses mamárias como dispositivos médicos, descreve a ressonância magnética como a forma mais eficaz de detectar a ruptura silenciosa, com a ultrassonografia como alternativa aceitável para o rastreamento de pacientes sem sintomas.
  • Mudança de desejo: o tamanho escolhido anos atrás não combina mais com o corpo ou o estilo de vida, ou a paciente simplesmente não quer mais ter um dispositivo no corpo.
  • Sintomas sistêmicos: algumas mulheres relatam cansaço, dores nas articulações, "névoa mental" ou manchas na pele e os relacionam às próteses, quadro muitas vezes chamado de doença do silicone (breast implant illness). A FDA observa que esses sintomas podem estar associados às próteses mamárias e que, em alguns casos, há relatos de que eles regridem após a retirada sem substituição; como e por que isso acontece ainda é pouco compreendido, por isso nenhum cirurgião consegue prever o resultado em cada caso.
  • Preocupação com o BIA-ALCL: o linfoma anaplásico de grandes células associado ao implante mamário é um linfoma de células T raro, que aparece com mais frequência nas próteses texturizadas. A FDA orienta que qualquer pessoa com inchaço persistente, dor ou outras alterações ao redor da prótese procure avaliação. Ela não recomenda a retirada de rotina em mulheres sem sintomas.

Se a sua principal dúvida é se as suas próteses precisam mesmo sair, o nosso artigo sobre quando a prótese mamária deve ser trocada explica os motivos médicos com mais detalhes.

Com ou sem a cápsula? Os tipos de capsulectomia

Uma das perguntas mais pesquisadas é se a prótese deve ser retirada com ou sem a cápsula. A FDA descreve os dois caminhos: o cirurgião pode retirar só a prótese e deixar a cápsula de cicatrização, ou retirar parte ou toda a cápsula ao mesmo tempo, o que pode ser uma cirurgia mais extensa. A orientação é que a paciente converse com o cirurgião sobre qual método se encaixa na sua situação.

Esses termos costumam ser usados de forma imprecisa; por isso, em 2024, um consenso publicado por meio da sociedade de cirurgia plástica ASPS os definiu assim:

  • Capsulectomia parcial: parte da cápsula é retirada e outra parte permanece.
  • Capsulectomia total: toda a cápsula é retirada, não necessariamente em uma peça só.
  • Capsulectomia total intacta: toda a cápsula é retirada como uma peça única, em geral com a prótese ainda dentro.
  • Capsulectomia en bloc: retirada da cápsula junto com uma margem do tecido ao redor, reservada para câncer associado à prótese suspeito ou confirmado.

O mesmo documento reforça que a única indicação absoluta para a capsulectomia en bloc é o câncer associado à prótese mamária suspeito ou confirmado após investigação adequada, e que os riscos de retirar a cápsula devem ser pesados contra o benefício esperado. No dia a dia, "en bloc" é muitas vezes usado para qualquer retirada em peça única, e por isso vale perguntar ao cirurgião exatamente a qual técnica ele se refere.

Como a decisão é tomada

Deixar uma cápsula fina e macia pode ser razoável em algumas pacientes; uma cápsula espessa, calcificada ou contraída, uma prótese de silicone rompida ou líquido ao redor da prótese costumam indicar a retirada de uma parte maior. Como a cápsula pode estar encostada na parede torácica e nas costelas, uma retirada mais completa pode significar uma cirurgia mais longa e, muitas vezes, um dreno. A escolha é feita depois do exame físico e dos exames de imagem, e não como uma regra fixa.

O que a transferência de gordura consegue e não consegue repor

A transferência de gordura consiste em retirar gordura por lipoaspiração, em geral do abdômen, dos flancos ou das coxas, purificá-la e injetá-la em pequenas quantidades na mama. Depois do explante, ela pode suavizar o degrau na parte de cima da mama, engrossar um tecido fino e devolver parte do volume perdido. Os limites dela devem estar claros antes de você decidir:

  • O volume é limitado. Depois da retirada, a mama tem menos espaço e menos tecido do que com a prótese. A gordura devolve um preenchimento modesto, não o tamanho de uma prótese típica.
  • Nem toda a gordura sobrevive. O NHS explica que parte da gordura injetada se perde nos primeiros meses e que cerca de metade pode não sobreviver; por isso, pode ser preciso uma nova cirurgia, ou o volume desejado pode não ser alcançado em uma única operação.
  • O resultado se assenta devagar. Segundo o NHS, a transferência de gordura pode levar até seis meses para mostrar todo o efeito, então o formato que você vê nas primeiras semanas não é o definitivo.
  • É preciso ter gordura doadora. Pacientes muito magras podem não ter gordura suficiente para retirar; nesse caso, a retirada com ou sem mastopexia pode ser o plano mais realista.
  • Às vezes é mais sensato fazer em etapas. Alguns cirurgiões preferem retirar as próteses primeiro e acrescentar a gordura em outra cirurgia, depois que os tecidos se acomodarem. Se a abordagem em um tempo ou em etapas é adequada para você, isso é decidido individualmente.

A lipoaspiração da área doadora faz parte da cirurgia, então você também vai usar cinta compressiva nessa região; o nosso guia sobre quanto tempo usar a cinta depois da lipoaspiração explica por quê.

Vou precisar de mastopexia depois da retirada?

Com os anos, a prótese distende a pele. Quando ela é retirada, a FDA observa que as mulheres que não colocam outra podem ficar com covinhas, afundamento da parede torácica, enrugamento ou queda da mama natural. O quanto isso acontece depende do tamanho da prótese, do tempo em que ela ficou no corpo, da qualidade da pele e da quantidade de tecido mamário próprio.

Se o mamilo está baixo ou a pele está frouxa, fazer uma mastopexia na mesma cirurgia firma a pele e eleva o mamilo, e a gordura pode então dar forma à parte de cima da mama. A mastopexia acrescenta cicatrizes, cujo desenho depende do grau de queda. A nossa comparação entre mastopexia e prótese pode ajudar você a visualizar o que cada etapa acrescenta. Quando a mama é pequena, mas a pele é firme, a retirada com transferência de gordura pode ser suficiente.

Quem é uma boa candidata?

A retirada com transferência de gordura costuma ser indicada para mulheres que:

  • têm boa saúde geral e não fumam, ou conseguem parar bem antes da cirurgia (veja o nosso guia sobre cigarro e anticoagulantes antes da cirurgia);
  • têm gordura suficiente em áreas doadoras como o abdômen ou as coxas;
  • preferem uma mama natural e aceitam que, em geral, ela vai ficar menor do que com a prótese;
  • têm exames de imagem recentes e, se possível, o cartão da prótese ou o relatório da cirurgia anterior.

Mulheres com suspeita de câncer relacionado à prótese precisam primeiro de uma investigação oncológica diferente; a transferência de gordura estética não faz parte desse tratamento inicial.

Exames de imagem, planejamento e cirurgia

O planejamento começa com uma consulta presencial ou online. A ultrassonografia das mamas é o ponto de partida habitual, e a ressonância magnética é acrescentada quando há suspeita de ruptura silenciosa ou quando as próteses são mais antigas. Leve os relatórios anteriores (se estiverem só em português, providencie uma versão em inglês ou turco) e avise os radiologistas que farão os seus exames no futuro que você fez transferência de gordura, porque o NHS inclui entre os riscos a necrose gordurosa (morte de algumas células de gordura), que pode formar nódulos; esses nódulos podem precisar de avaliação nos exames posteriores.

A cirurgia é feita sob anestesia geral, em um hospital totalmente equipado, com suporte de anestesia e UTI. O planejamento cirúrgico é feito sob medida para você: em geral, a incisão anterior é reaproveitada, a cápsula é tratada conforme o combinado e, se foi escolhido o plano em um único tempo, a gordura é retirada e enxertada na mesma cirurgia. A duração depende de serem acrescentadas a capsulectomia e a mastopexia.

Recuperação e riscos

A recuperação junta a de uma cirurgia de mama com a de uma lipoaspiração. O NHS observa que as áreas tratadas costumam ficar roxas e inchadas por algumas semanas e que as pessoas podem precisar de cerca de duas semanas de afastamento do trabalho. Os passos típicos incluem um sutiã pós-cirúrgico usado dia e noite por várias semanas, um dreno por pouco tempo se foi feita capsulectomia e evitar carregar peso e fazer exercícios intensos com a parte superior do corpo até o cirurgião liberar. Os prazos variam, e o seu é confirmado individualmente.

Os riscos possíveis incluem sangramento ou hematoma, infecção, acúmulo de líquido, alterações de sensibilidade, assimetria, irregularidades de contorno na área doadora, necrose gordurosa e coágulos sanguíneos, além dos riscos gerais da anestesia. Retirar a cápsula da parede torácica traz riscos próprios, e é por isso que essa etapa é ponderada, e não feita automaticamente.

Quanto tempo ficar em Istambul

Para a cirurgia de revisão de prótese, a nossa página do procedimento sugere cerca de 5 a 7 dias em Istambul, em geral com uma noite no hospital; acrescentar capsulectomia, mastopexia e retirada de gordura pode mudar isso, então o seu cirurgião confirma o plano exato. Lembre também que a viagem do Brasil é longa (em torno de 12 a 13 horas nos voos diretos, quando houver), o que vale levar em conta ao planejar a volta. O nosso artigo sobre quantos dias ficar na Turquia para uma cirurgia de mama explica como esses dias costumam ser usados.

Cuidados depois que você volta para casa

Durante a estadia em Istambul, você tem troca de curativos e revisões todos os dias. Depois que você volta para casa, o acompanhamento continua por WhatsApp e videochamada, e uma coordenadora fica disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. Os detalhes práticos para quem viaja estão na nossa página para pacientes internacionais e, para uma visão mais ampla sobre operar no exterior, você pode ler como escolher um cirurgião na Turquia. Há mais informações sobre todos os procedimentos de mama na nossa página de cirurgia de mama.

Se você está pensando em retirar as próteses, com ou sem transferência de gordura, envie as suas fotos, os dados da prótese e o seu histórico médico pelo WhatsApp para uma avaliação, ou fale com a gente pela nossa página de contato.

Fontes

As informações gerais deste artigo se baseiam nas organizações e publicações abaixo.

  1. Risks and Complications of Breast Implants (FDA)
  2. Breast Surgery Collaborative Community issues consensus statement on breast implant capsulectomy definitions and management (American Society of Plastic Surgeons)
  3. Surgical fat transfer (NHS)
Op. Dr. Göktuğ Esmer — O Dr. Göktuğ Esmer é cirurgião plástico, estético e reparador com título de especialista e membro da ISAPS e da TPRECD. Este artigo tem caráter informativo geral; seu plano individual é confirmado após a consulta.

Perguntas frequentes

É possível retirar a prótese mamária e substituí-la pela minha própria gordura?

Sim, a transferência de gordura pode ser feita junto com a retirada da prótese ou em outra cirurgia. Ela repõe apenas uma parte modesta do volume, parte da gordura se perde nos primeiros meses e pode ser preciso mais de uma sessão.

A prótese deve ser retirada com ou sem a cápsula?

Depende dos achados. A FDA descreve tanto a retirada só da prótese quanto a retirada de parte ou de toda a cápsula. Uma cápsula contraída ou calcificada, ou uma prótese rompida, costumam favorecer a capsulectomia; a decisão é tomada depois do exame físico e dos exames de imagem.

O que é a capsulectomia en bloc?

Nas definições do consenso de 2024, é a retirada da cápsula com uma margem do tecido ao redor, indicada para câncer associado à prótese suspeito ou confirmado. A retirada da prótese e da cápsula em uma peça única se chama capsulectomia total intacta.

As mamas vão cair depois da retirada da prótese?

Podem cair. Sem substituição, a FDA aponta a possibilidade de covinhas, enrugamento ou queda. Se a pele está frouxa ou o mamilo está baixo, a mastopexia costuma ser combinada com a retirada.

Quanto a transferência de gordura vai aumentar as mamas depois da retirada?

Não é possível prometer um número exato. A gordura acrescenta um preenchimento modesto e suaviza o formato, mas não repõe o volume de uma prótese típica. O resultado final é avaliado depois de alguns meses.

Procedimentos relacionados

Próximo passo

Avaliação a partir das suas fotos

Envie suas fotos e seus objetivos pelo WhatsApp; o Dr. Göktuğ Esmer vai explicar o plano mais adequado para você e como será toda a jornada.

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